segunda-feira, 6 de maio de 2013

"As Etapas da Aprendizagem" - do mais simples ao mais complexo...

http://www.youtube.com/watch?v=whMT794CX-M
 
 
Trabalho de Humberto Maturana e Francisco Varela
(Por: Edla M. F. Ramos)
Humberto Maturana e Francisco Varela desenvolveram um trabalho transdisciplinar centrado no propósito de entender a organização do sistemas vivos com relação ao seu caráter unitário. Para tal, foi preciso que esses pesquisadores levassem em conta os principais desafios que esse entendimento impunha, quais sejam: entender a natureza autônoma da organização biológica e entender como a identidade pode ser mantida durante a evolução que gera a diversidade. Os autores não fazem, pois não são necessárias, distinções sobre nenhuma classe ou tipo de ser vivo, nem descrevem os seus componentes. Apenas explanam quais são as relações que permanecem invariantes entre tais componentes, e que constituem o ser vivo enquanto tal, não importando qual é a sua natureza.
Além de reformular um fenômeno, mostrando como as relações e interações entre seus componentes o geram, como ocorre em toda a explanação, é meta central dos autores (pois têm claro que toda explanação é feita por um observador do fenômeno) distinguir claramente o que pertence ao sistema como constitutivo da sua fenomenologia e o que apenas pertence ao domínio da sua descrição. Esta distinção é uma proposta de atitude epistemológica nova e já demonstrou o quanto é fecunda no próprio trabalho dos seus proponentes.
A abordagem feita é, num certo sentido, mecanicista, pois nenhuma força ou princípio que não esteja no universo físico é invocada. Os seres vivos serão tratados como máquinas, donde os autores precisam responder 'que tipo de máquinas elas são?' e 'qual é a sua fenomenologia, incluindo reprodução e evolução, a partir da sua organização unitária?'. Apesar de mecanicista, a abordagem não é reducionista ou atomista, uma vez que é o caráter unitário do ser vivo que tenta ser compreendido de forma transdisciplinar.
O uso do termo transdisciplinar, ao invés dos termos interdisciplinar e multidisciplinar, é mais adequado para explicar este aspecto do trabalho dos autores, pois, como bem observou Stanford Beer, (no prefácio que escreveu para o livro Autopoiesis e Cognição):
"...se o livro lida com sistemas vivos, então deve tratar de biologia. Se ele diz alguma coisa científica sobre organização, então deve falar de cibernética. Se pode reconhecer a natureza do caráter unitário, deve ser um livro de epistemologia - e também, lembrando a grande contribuição do primeiro autor sobre percepção, deve lidar com psicologia. O livro é indubitavelmente sobre todas estas coisas. Chamaríamos, portanto, esta área interdisciplinar de psicociberbioepistêmica? Faríamos isso se quiséssemos insultar os autores, pois o seu estudo não inter-relaciona disciplinas, ele as transcende. Na verdade, parece que ele as aniquila..." (Beer in Maturana, 1987: 65).
Maturana e Varela desenvolvem uma abordagem em busca de síntese e não de análise e classificação. Segundo estes autores a ciência de hoje teve o seu progresso instrumentalizado por análise e categorização, o que produziu uma visão de mundo difícil de mudar. Nessa visão de mundo os sistemas reais são aniquilados pela própria tentativa de entendê-los, sendo suas relações definidoras(???) perdidas uma vez que não são categorizáveis (???).
Consideram os autores que nenhuma posição ou ponto de vista que tenha alguma relevância no domínio das relações humanas está livre de implicações éticas e políticas. Logo, nenhum cientista pode considerar-se alheio a estas implicações. Tais implicações foram explicitadas pelos autores a partir da resposta à seguinte questão: "as sociedades humanas são ou não são elas mesmas sistemas biológicos? ".
As noções de observador, distinção, unidade, organização e estrutura são os alicerces da teoria de Maturana e Varela. Elas são sintetizadas a seguir.
O observador
Tudo que é dito é dito por um observador. O observador é um ser humano, portanto, um sistema vivo, e tudo o que se aplica aos sistemas vivos também se aplica a ele. O observador contempla simultaneamente a entidade que ele considera e o universo no qual ela vive. Ele é capaz de operar ou de interagir com a entidade observada e com as suas relações.
Uma entidade é o que pode ser descrito pelo observador, descrever é enumerar as interações e relações atuais ou potenciais da entidade descrita. Isso só pode ser feito se existe pelo menos uma outra entidade distinguível com a qual a entidade descrita pode ser relacionada e interage.
O entendimento da cognição como um fenômeno biológico deve levar em conta o observador como um sistema vivo e o seu papel.

"A Influência das Emoções no Nosso Comportamento" (Claudia Castellanos)
http://www.youtube.com/watch?v=PWgjciGRjMA

"A Beleza do Pensar - O novo Encanto da Realidade" (Francisco Varela)

http://www.youtube.com/watch?v=SAAHFdWTRRY
O conhecimento mais sublime é aquele que é conhecido através do amor.



A INÚTIL OPOSIÇÃO NATUREZA X CULTURA NA COMPLEXIDADE AMBIENTAL DAS TRAMAS CONTEMPORANEAS
Maria Augusta Mundim Vargas
A década de 1970 caracterizou-se pelos embates epistemológicos, teóricos e metodológicos, no âmbito dos quais emergiram uma nova visão de ambiente, meio ambiente e qualidade de vida. No âmbito desses embates emergiram diferentes sub-campos do conhecimento que confluíram, já na década de 1980, para a produção de um pensamento crítico sobre o significado dos valores culturais e sobre os limites de uso da base de sustentação das relações sociais e políticas, ou seja, dos recursos naturais. Bem próximo das colocações de Maturana e Varela (2001), Carlos Walter Porto Gonçalves (1988), destaca em sua obra já citada, Os (des)caminhos do meio ambiente, o pensamento de Edgard Morin sobre a epistemologia da complexidade: pressupõe o pensamento multidimensional que contém as dimensões individual, social e biológica. Ele desconstrói os três eixos constitutivos da ciência moderna, quais sejam i) a oposição homem e natureza; ii) a oposição sujeito-objeto e; iii) o paradigma atomístico-individualista. Ele nos mostra que a ciência e a técnica são condições necessárias, mas não suficientes para garantir um uso racional dos recursos naturais. Homem e natureza são concebidos como parte de um mesmo processo de constituição de diferenças. É em meio à destruição/criação que os ecossistemas (e nós inseridos nesta concepção) aparentam harmonia. O foco desloca-se. Não é a estabilidade, é a aptidão para construir estabilidades novas; não é o regresso ao equilíbrio, é a aptidão à reorganização. Um aspecto importante nessa desconstrução do pensamento social hegemônico, leia-se do paradigma científico hegemônico e vigoroso nos anos 1950, 60 e 70, até abrir-se em crise, fez-nos compreender que a crise não era tão simples, que não se tratava apenas de refutar um conhecimento teórico, mas, sobretudo, a aplicação do conhecimento teórico, ou seja, o conhecimento tecnológico. Com efeito, produzimos explicação da ciência, de seus sucessos e fracassos não a partir da evolução do estado de conhecimento e, sim, a partir do que sabemos sobre a evolução da ciência e do que, a partir desse conhecimento queremos (KUHN, 1975).

In “Trabalho apresentado na mesa “Complexidade Ambiental nas Tramas Contemporâneas” – Colóquio Internacional Educação e Contemporaneidade – Campus Universitário da Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, 22 de novembro de 2007.”
Somos influenciados pela realidade na mesma medida em que a influenciamos...


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Francisco Varela

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 
Francisco J. Varela, (Santiago do Chile, 7 de setembro de 1946 - Paris, 28 de maio de 2001), biólogo e filósofo chileno, escreveu sobre sistemas vivos e cognição: autonomia e modelos lógicos. Ph.D. em Biologia (Harvard, 1970), em 1979 escreveu Príncípios de Autonomia Biológica, um dos textos básicos da autopoiese, teoria que desenvolveu com Humberto Maturana. Depois de ter trabalhado nos EUA, mudou-se para a França, onde passou a ser diretor de pesquisas no CNRS - Centro Nacional de Pesquisas Científicas - no Laboratório de Neurociências Cognitivas do Hospital Universitário da Salpêtrière, em Paris, além de professor da Escola Politécnica, também em Paris.

Subjectividade e objectividade (a propósito de Francisco J. Varela)

Como é que as centopeias caminham com tantas pernas sem se tropeçarem? Como é que estendemos e apertamos as mãos em cumprimento e não falhamos o alvo? Como é que andamos e nos equilibramos em 2 pernas? Estes podem ser indícios simples do funcionamento do saber. É possível, a partir daqui, inferir a realidade como modelos de representação. Quando vemos a cor azul, ela viaja até à nossa percepção através da luz. No entanto, não existe nenhuma relação entre luz e cor e isto, é o que alguns estudiosos consideram um paradoxo. Então podemos dizer que o conhecimento da realidade é uma invenção humana. É um sistema criado para que possamos conceber a realidade e entendê-la. Assim, a realidade não assenta apenas na objectividade da sua existência. É a profundeza da subjectividade humana que lhe traz um sentido e forma. A existência do objecto não teria significado se não for o indivíduo a dar-lhe uma razão para a sua existência, a sua materialidade e a sua essência, é essa importância que conferimos ao mundo que justifica a sua existência, e que pode ser tão variável e múltipla, conforme essa importância que lhe atribuímos. Tudo o que «existe» aos nossos olhos, justifica-se porque assim o decidimos, segundo o seu grau de importância. Essa percepção é tão mais singular, quanto maior for o nosso individualismo. A objectividade do mundo assenta assim na própria subjectividade dos seres. Tudo o que se faz e se experiencia, é produzido no mundo, isto é, a realidade é o resultado da experiência que se tem com ela, a forma como interagimos com ela e do conhecimento que foi produzido. A maneira como percepcionamos essa realidade, modifica-a. Podemos então dizer que o mundo é feito à nossa medida e somos a medida do mundo. “A abelha sonha com a flor e a flor sonha com a abelha” – este é o ciclo evolutivo, é a latência dialéctica que determina a nossa “pedra filosofal” pessoal e que transforma a essência do real.
Joaquim Ng Pereira

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Transformações culturais na sociedade da informação

Byanka da Silva Arruda
O mundo mudou radicalmente com a inserção da tecnologia cibernética e das novas mídias no cotidiano das pessoas comuns, sobretudo no que concerne às questões culturais, sociais, econômicas e comportamentais. A informação, especialmente a imagética e visual, tornou-se soberana nos lares, nas ruas, nas empresas, etc. Em todo planeta a comunicação informacional é a mesma e mutável. Um excesso de bits que homogeneíza e massifica as diversidades  culturais, transforma o mundo em uma aldeia global, na qual todos estão conectados e interligados o tempo inteiro, independentemente da distância.
A cibercultura elimina espaços e aproxima pessoas na mesma proporção que as afasta. Assim, na sociedade da informação, as relações sociais tornaram-se fundamentalmente dúbias. A cibercultura proporciona realidades externas, como jogos e internet e oferta aos indivíduos o que os meios de comunicação de massa não conseguiram: participação efetiva no processo comunicacional, onde todos podem ser produtores de informação e emissores. Contudo, distancia os homens do contato humano real, alienando-os das próprias causas.
Diante desta argumentação, o artigo busca salientar as questões socioculturais, especialmente, relacionadas às novas tecnologias e à cibercultura, mostrando vantagens e desvantagens do advento da tecnologia na vida do homem. Faz-se necessário, portanto, aprofundar os conhecimentos acerca das transformações culturais advindas da inserção e popularização das novas mídias, bem como suas implicações e mediações sociais, sobretudo para o estudante de comunicação social. É nesse sentido que o trabalho objetiva discutir as novas formas de relações pessoais que se dão através do ciberespaço, procurando salientar aspectos fundamentais que envolvem a dinâmica da cibercultura.
É tarefa do estudante de comunicação social questionar as funções dos meios de comunicação e novas mídias e as formas como vêem modificando substancialmente comportamentos, hábitos e valores culturais através da informação.
... 
 
Ciberespaço, cibernética, ciborgues. Infovias, informação, informacional. Tecnologia, mídia, convergência. Sociedade da informação, sociedade em rede, sociedade pós-industrial. Muitos termos para designar o mesmo fenômeno: a cibercultura em toda sua expressão. Como principais características, a cibercultura favorece a fragmentação de identidades culturais e individuais; avança o processo de convergência dos meios e das novas tecnologias; modifica substancialmente comportamentos, tradições e influencia a economia global. Em suma, transforma a sociedade pós-industrial como um todo, em todos os âmbitos. Abstrai-se das recentes teorias acerca da era da globalização indícios que apontam para um novo momento histórico do homem em relação às máquinas, à ciência e às formas de se comunicar e transmitir conhecimento. Da mesma forma como foram importantes e determinantes as descobertas e transformações por quais passaram as sociedades anteriores em seus diferentes tempos históricos, é preciso atentar às mudanças que a sociedade da informação vem provocando na organização e dinâmica da vida humana. Neste novo tempo, tornou-se fato que o homem vem criando maneiras de interagir socialmente ao operar com as mediações socioculturais proporcionados pelas infovias.
Cabe refletir e planejar caminhos para que o desenvolvimento e expansão destas novas ferramentas tecnológicas não transformem o ser humano, suas relações de sociabilidade e afetividades estranhas à sua realidade vivida.
www.bocc.ubi.pt
O preço da cibercultura!

http://www.youtube.com/watch?v=sW_7i6T_H78&playnext=1&list=PL69D6804A1BB34240&feature=results_main
A Cibercultura - Pierre Lévy

http://www.youtube.com/watch?v=-FeTywlM47s
Cibercultura

http://www.youtube.com/watch?v=qBHPqKzlbMM
O que é a cibercultura - conceito

http://www.youtube.com/watch?v=20SgpXWBz4o

O QUE É CIBERCULTURA?

outubro 3, 2007
Bem pessoal, esse assunto foi o primeiro discutido nos seminarios, sobre a cibercultura, aí vão algumas informações sobre o assunto….
A cibercultura é a relação entre as tecnologias de comunicação, informação e a cultura, emergentes a partir da convergência informatização/telecomunicação na década de 1970. Trata-se de uma nova relação entre tecnologias e a sociabilidade, configurando a cultura contemporânea (Lemos, 2002).
O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens e cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. As novas tecnologias de informação e comunicação alteram os processos de comunicação, de produção, de criação e de circulação de bens e serviços.
Caracteriza a cibercultura três leis fundadoras que vão nortear os processos de re-mixagem, são elas:
1. A liberação do pólo da emissão: “Pode tudo na internet”, “tem de tudo na internet”.
2. O princípio de conexão em rede: “a rede está em todos os lugares”, ou como dizia a publicidade de “Sun System”, “o verdadeiro computador é a rede”. Essa lei é o princípio de conectividade generalizada, iniciou com a transformação do PC (computador pessoal), em CC (computador coletivo), com o surgimento da Internet e o atual CC móvel (computador coletivo móvel), era da computação pervasiva com a explosão dos celulares e das redes Wi-Fi. Tudo comunica e tudo está em rede: pessoas, máquinas, objetos, monumentos, cidades…
3. Reconfiguração (entende-se a idéia de remediação, mas também a de modificação das estruturas sociais, das instituições e das práticas comunicacionais) de formatos midiáticos e práticas sociais: “tudo muda, mas nem tanto”.
Na cibercultura, novos critério de criação, criatividade e obra emergem, consolidando, a partir das últimas décadas do século XX, essa cultura remix (possibilidade de apropriação, desvios e criação livre), que começam com a música, com os DJ’s no hip hop e os Sound Systems, a partir de outros formatos, modalidades ou tecnologias, potencializados pelas características das ferramentas digitais e pela dinâmica da sociedade contemporânea. BBC mostra como a “ciber-cultura-remix” está em expansão através dos blogs, podcasts, sistemas P2P, obras artísticas e softwares livres.
A cibercultura tem criado o que está sendo chamado de “mídia do cidadão”, onde todos são estimulados a produzir, distribuir e reciclar conteúdos.
As expansões da cibercultura potencializam o compartilhamento, a distribuição, a cooperação e a apropriação dos bens simbólicos.
A área acadêmica também tem se esforçado neste contexto, no que se refere a sinergia das causas tecnológicas e efeitos sociais e vive-versa.
A batalha para conquista do espaço ainda está longe de acabar, porém, os cidadãos virtuais já estão produzindo conteúdos pelos princípios da liberação da emissão, da conexão generalizada e da reconfiguração da indústria cultural, o que parece ser um caminho irreversível na atual cibercultura, como afirma o DJ Spooky.
Caroline Diel e Giovana Basso!
 
http://discutindocomunicacao.wordpress.com/?s=O+que+%C3%A9+a+cultura%3F

O conceito de heterotopia em Foucault

Michel Foucault, no texto Outros Espaços, Heterotopia, elabora o conceito de heterotopia para mostrar que o espaço do outro foi esquecido pela cultura ocidental. A palavra heterotopia é composta do prefixo heteros que tem origem do grego e significa o diferente e está ligada a palavra alter (o outro). Já a palavra topia significa lugar, espaço. Então, heterotopia significa o espaço do outro. Em busca do uno, do universal e do mesmo, a razão ocidental afastou o outro, a diferença, a multiplicidade. Deste modo, o empreendimento filosófico de Foucault foi resgatar os espaços do outro, onde o exercício do poder pela racionalidade ocidental buscou suprimir pela busca do espaço do mesmo. Por isso, estudou espaços onde se exerciam relações de poder com vistas a objetivação do mesmo, como: as prisões, a escola, o corpo, a loucura, a sexualidade, etc.
“A época atual seria talvez de preferência a época do espaço. [...] Estamos em um momento em que o mundo se experimenta, acredito, menos como uma grande via que se desenvolveria através dos tempos do que como uma rede que religa pontos e que entrecruza sua trama”.
No texto, Foucault pensa o espaço como uma forma de relação de posições, onde a vida é comandada por espaços sacralizados. Também, diferencia utopia de heterotopia. A primeira, diz respeito a lugares que não são reais, sem lugar fixo. Já a segunda, se refere a lugares reais, mas que estão fora dos lugares aceitos (o mesmo). Para o autor, a sociedade produz heterotopias. Ainda, chama estes outros lugares com a denominação de heterotopia de desvio, ou seja, aqueles comportamentos que estão fora do que a sociedade aceita e impõe as condutas. São nestes espaços que para Foucault estão contidos os conflitos e tensões que se exercem pelas relações de poder de uma sociedade determinada.
Veja o texto de Foucault: Outros_espacos

http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=5315086314810524015#editor/target=post;postID=2748514466618403491
 

A Virtualização

Compreende-se agora a diferença entre a realização (ocorrência de um estado pré-definido) e a atualização (invenção de uma solução exigida por um complexo problemático). Mas o que é a virtualização" Não mais o virtual como maneira de ser, mas a virtualização como dinâmica. A virtualização pode ser definida como o movimento inverso da atualização. Consiste em uma passagem do atual ao virtual, em uma "elevação à potência" da entidade considerada. A virtualização não é uma desrealização (a transformação de uma realidade num conjunto de possíveis), mas uma mutação de identidade, um deslocamento do centro de gravidade ontológico do objeto considerado: em vez de se definir principalmente por sua atualidade (uma "solução"), a entidade passa a encontrar sua consistência essencial num campo problemático. Virtualizar uma entidade qualquer consiste em descobrir uma questão geral à qual ela se relaciona, em fazer mutar a entidade em direção a essa interrogação e em redefinir a atualidade de partida como resposta a uma questão particular.
Tomemos o caso, muito contemporâneo, da "virtualização" de uma empresa. A organização clássica reúne seus empregados no mesmo prédio ou num conjunto de departamentos. Cada empregado ocupa um posto de trabalho precisamente situado e seu livro de ponto especifica os horários de trabalho. Uma empresa virtual, em troca, serve-se principalmente do teletrabalho; tende a substituir a presença física de seus empregados nos mesmos locais pela participação numa rede de comunicação eletrônica e pelo uso de recursos e programas que favoreçam a cooperação. Assim, a virtualização da empresa consiste sobretudo em fazer das coordenadas espaço-temporais do trabalho um problema sempre repensado e não uma solução estável. O centro de gravidade da organização não é mais um conjunto de departamentos, de postos de trabalho e de livros de ponto, mas um processo de coordenação que redistribui sempre diferentemente as coordenadas espaço-temporais da coletividade de trabalho e de cada um de seus membros em função de diversas exigências.
A atualização ia de um problema a uma solução. A virtualização passa de uma solução dada a um (outro) problema. Ela transforma a atualidade inicial em caso particular de uma problemática mais geral, sobre a qual passa a ser colocada a ênfase ontológica. Com isso, a virtualização fluidifica as distinções instituídas, aumenta os graus de liberdade, cria um vazio motor. Se a virtualização fosse apenas a passagem de uma realidade a um conjunto de possíveis, seria desrealizante. Mas ela implica a mesma quantidade de irreversibilidade em seus efeitos, de indeterminação em seu processo e de invenção em seu esforço quanto a atualização. A virtualização é um dos principais vetares da criação de realidade.
 
Conceito filosófico de virtualização!

http://www.youtube.com/watch?v=q0tnwHlIy9g
O que é uma empresa virtual? 
  O conceito de algo virtual surgiu em um paper desenvolvido ao início da década de 70, e que tratava de dar uma nova visão à memória de computadores, até então restrita às suas limitações físicas. A memória virtual permitiu aos engenheiros de software uma liberdade maior e individualizada no tratamento de seus dados, porque, de repente, criou-se uma visão lógica dos espaços disponíveis, sem que as limitações fisícas e reais formassem um impecilho a formulações mais complexas. Agora, a empresa virtual aparece como o modelo da corporação do século XXI, uma radical mudança dos conceitos clássicos de organização e divisão do trabalho. Como se situam neste novo ambiente os gerentes e profissionais? Serão eles, também, pessoas virtuais com salários e responsabilidades virtuais? Especular sobre isso é a nossa intenção neste artigo. No excelente livro de Davidow e Malone, The Virtual Corporation, esta é caracterizada pela existência de produtos e serviços virtuais, aqueles que são produzidos quase que instantaneamente, sob demanda de um determinado cliente.Segundo estes autores, uma empresa virtual aparece para um observador externo como algo meio indefinido, com uma interação permanente entre a companhia, fornecedores e clientes. Do ponto de vista da organização interna, aparece também indefinida, sem fronteiras, com cargos e responsabilidades em constante mutação. Mesmo a definição de funcionário muda, com alguns clientes e fornecedores passando mais tempo dentro da empresa do que aqueles formalmente empregados. Benjamin Coriat, da Universidade de Paris, acha que para chegarmos à uma nova forma de organização da empresa virtual será preciso fazer algo como uma engenharia reversa. Partir das necessidades reais dos clientes e procurar o tipo de estrutura que se pode desenhar para melhor atendê-lo. Que mudanças já estamos percebendo, em direção à empresa virtual? Vejamos: (1) o conceito tradicional de uma carreira empresarial será alterada, para refletir flexibilidade e adaptabilidade. Daí a dificuldade hoje sentida entre os estudantes em vizualizarem o futuro profissional, que não será visível senão em pequenos saltos, ao contrário da geração passada onde ser um engenheiro mecânico ou trabalhar na Rede Ferroviária, para citar dois exemplos, já predeterminava 15 ou 20 anos de trabalho. (2) um treinamento mais sofisticado será necessário ao longo de toda a vida profissional. Será impossível manter-se atualizado, num ambiente de mutação tão espetacular, sem um aprendizado contínuo. Então, se isso é verdade, aprender a aprender torna-se uma habilidade a ser adquirida na escola, e deve ser prevalente sobre as demais. (3) formas de organização multi-disciplinares, tais como as equipes de trabalho formais ou informais,terão crescente poder de decisão, antes reservado a indivíduos no topo da pirâmide. (4) os critério de seleção de pessoas, cada vez mais, levarão em conta a capacidade de adaptar-se a mudanças. (5) as centenas de pequenos empreendimentos surgidos no Vale do Silício introduziram o conceito de propriedade compartilhada. São donos desde os investidores de capital de risco, até os executivos, os prodfissionais e os clientes. As empresas virtuais são confundidas com aquelas montadas na sala de visitas ou no quarto. Embora estas possam, realmente, serem virtuais, o que mais caracteriza este tipo de empresa não é a ausência de escritórios ou instalações físicas. É a capacidade de produzir produtos e serviços sob demanda, como dissemos.A Internet promete dar um grande impulso às empresas virtuais.Em determinado momento, várias pequenas empresas podem somar seus produtos e oferecer um resultado totalmente novo a um cliente que o tenha solicitado. Estas empresas podem estar, inclusive, em países diferentes. Na área de serviços, é comum integradores de sistemas e consultorias somarem competências variadas, distribuídas em localidades diferentes, para produzirem uma proposta vencedora. Tanto a maneira de gerenciar como de trabalhar é muito alterada neste tipo de empresa. Em primeiro lugar, desaparece a figura do organograma, que muitos ainda insistem em seguir. Ele é melhor substituído por um desenho de rede. Isto não é apenas figurado. As pessoas devem entender que as fronteiras da organização foram implodidas, ampliadas até o limite do global. Não existem restrições a priori de associação. Não existem inimigos. Existem parceiros que mudam a cada nova solicitação de produto ou serviço. A única coisa que importa é a rapidez no atendimento a uma solicitação e a qualidade. A decorrência dos preços e dos custos terem que ser competitivos é natural, porque os parceiros estarão sempre procurando as melhores ofertas. Como é exercida a liderança? As administrações continuam a perseguir resultados e a sobrevivência. A liderança se dá pelo envolvimento, assim como se observa em uma agência de publicidade. Cada evento é único e representa a simbiose de diversos talentos. Estes fazem tarefas mais agradáveis e recompensadoras, e sub-contratam outras que sejam menos relacionadas com sua competência. As equipes são mutáveis, às vezes de um dia para outro, com alguém pensando como um gerente de projeto, e mantendo acesa a chama da motivação e da busca do resultado. Os empregados participam dos lucros, e isso os faz permanecer na equipe por mais tempo, até que um dia apareça algo mais atraente e mais recompensador. As gerências desenvolvem comunicação em alto grau, e sabem capturar oportunidades. Eles são gerentes de oportunidades mais do que qualquer coisa, porque estas podem ser únicas. As empresas virtuais parecem ser o modelo do século XXI, e vão exigir pessoas virtuais. Sem dúvida, com responsabilidades e salários reais, mas muito mais criativas.

http://www.castro.to/artigos/art_empresavirtual.htm
Organizações virtuais - conceitos

http://www.slideshare.net/vigusmao83/organizaes-virtuais-7959478
ARTIGO - REALIDADE VIRTUAL
José Guilherme Santa Rosa
 O conceito de realidade virtual comporta diversas vertentes e caracteriza-se pela simulação da realidade. Como esta variedade pode ser morfológica ou fenomenológica estas são as duas variantes principais:
 
Pela variedade morfológica a realidade virtual estaria representada pelos sistemas do tipo WoW ( Window on World Systems) nos quais o ambiente virtual é visto por uma janela. Neste mundo virtual os objetos tridimensionais e mesmo o espectador ou ator principal movimentam-se, emitem sons, deformam-se, multiplicam-se e interagem nas três dimensões geométricas e na dimensão temporal. Sua aplicação mais popular é o simulador de vôo, usado no treinamento de pilotos.
 
Pela variedade fenomenológica o conceito está representado pelo Jogo da Vida, criado em 1960, pelo matemático inglês John Conway. O fundamento parte da noção de que as populações de simples sistemas autônomos apresentam comportamentos semelhantes aos nossos quando obedecem a regras que orientam as interações locais independentes. A reprodução atende a regras que requerem a interação entre membros da mesma espécie o que involve a interação com o ambiente até encontrar o seu parceiro. A sobrevivência exige a obtenção de alimentos, dentro de uma cadeia biológica na qual pode ser, simultaneamente o consumidor ou o consumido.
        
Como grande parte do comportamento humano baseia-se em simples interações com o ambiente os pesquisadores de I.A (inteligência artificial) estudaram modelos artificiais de estímulo-resposta como o par de tartarugas eletrônicas de Grey Walter que desde 1950 procuram as luzes fortes, afastam-se das luzes fracas e detectam a carga de suas baterias, procurando o contacto com o recarregador.
Ambas as vertentes da realidade virtual tem sido pródigas na geração de jogos e outras formas de entretenimento. A realidade virtual morfológica estimulou a indústria a produzir toda uma parafernália de capacetes, óculos, luvas, roupas de astronauta, cadeiras e assoalhos que permitem ao jogador participar ativamente do jogo como se fôra o ator principal ou o centro da ação.
A realidade virtual fenomenológica criou jogos de automação celular ou de colônias bacterianas, uma pseudo-ecologia que simula sistemas biológicos gerais inclusive a extinção de espécies e surgimento de novas espécies. Outros jogos simulam o movimento de astros e as influências da velocidade e da força gravitacional ou a morfogênese durante o desenvolvimento embrionário. Sua aplicação mais popular é o software para previsões metereológicas à partir de fotografias obtidas por satélites artificiais.
Em termos morfológicos os principais instrumentos de software são os de computação gráfica que utilizam algorítimos vetoriais. Um programa difundido,como o 3D Stúdio, permite criar, deformar, realizar operações booleanas que colam ou esculpem objetos sólidos, criar sólidos de revolução, aplicar texturas cores, transparências, brilhos, reflexos, acabamentos especiais quer para a reprodução do mundo real quer para a criação de um mundo inteiramente virtual. As versões sucessivas adicionaram a dimensão tempo, permitindo a animação de frames com a modificação do ambiente virtual, a criação de scripts que controlam o comportamento do ambiente face a estímulos e a introdução de sons no ambiente virtual, quer sob a forma de resposta ou da percepção de estímulos sonoros. É em termos de hardware, no entanto, que a variedade morfológica chama mais atenção. Há uma gama incomensurável de equipamentos que permitem ao ator registrar sensações como se realmente estivesse participando da cena.
A realidade virtual fenomenológica não se tem preocupado tanto com a semelhança visual entre o mundo real e o virtual. Suas células podem ser círculos, suas formigas podem ser traços. O que importa não é a beleza dos personagens e sim a similitude entre seu comportamento e o comportamento dos atores do mundo real. Buscam-se os algorítmos que regem tais comportamentos para previsões no mundo real. Alguns jogos de simulação e inteligência artificial, como por exemplo os que tratam da gestão de empresas ou de cidades já mostram um maior cuidado com a apresentação gráfica e efeitos sonoros, o que torna a apresentação mais palatável.
A utilização da Realidade Virtual na Internet, possibilitará (em alguns casos já possibilita) a aplicação de Tecnologias como Telepresença. Uma operação cirúrgica pode ser feita a longas distâncias, um avião de guerra pode ser pilotado sem que o piloto esteja dentro do mesmo, etc... A vida não será problema, a Realidade Virtual se encarrega de fornecer quantas forem necessárias, o único e principal problema que muitos esquecem é: será que nossa mente e nosso coração se adaptará à essas mudanças, o convívio em mundos com regras diferentes e com mundos que não tenham gravidade etc.? Não será um risco? Será que poderemos ter um prisioneiro virtual vivendo em um inferno virtual criado por nós mesmos ?
Experienciar a realidade virtual pela tecnologia.

http://turma12bcesas.blogspot.pt/2011/11/realidade-virtual-conceito.html
Realidade Virtual - Conceitos

http://www.youtube.com/watch?v=_QtJcmQvTfc
O FUTURO DA COMUNIDADE VIRTUAL



Tecnologicamente, o futuro da comunidade virtual parece assegurado. O desenvolvimento dos computadores e das ligações comunicacionais está a acelerar. Os computadores estão a percorrer uma trajectória tecnológica pré-estabelecida pela Lei de Moore - uma ordem de magnitude mais rápida, mais pequena e mais barata em cada década. Os motores de busca da Rede são cada vez mais poderosos e fáceis de utilizar, e ameaçam mesmo tornar-se os sistemas básicos operativos dos computadores pessoais. As ligações entre os computadores e o sistema telefónico são cada vez mais rápidas, à medida que a velocidade dos modems e a largura de banda disponível aumentam. O sistema telefónico está a ser progressivamente digitalizado, e a fibra óptica está cada vez mais difundida. De um modo crescente, o acesso processa-se através de ligações sem fio (por exemplo, telefones celulares móveis). Em breve, a ligação poderá ser feita directamente para satélites em órbita baixa, como o Teledesic de Bill Gates ou o Iridium da Motorola. E o acesso à internet cada vez está mais difundido por todo o planeta, quebrando barreiras e fronteiras, mesmo em países com sistemas sociais ou políticos mais ou menos fechados, tal como profetizava McLuhan com a sua teoria da Aldeia Global.
Mas algumas liberdades e garantias são necessárias para assegurar não só a utilidade, mas também o alcance da comunidade virtual. A internet alastrou tão rapidamente que os governos só agora começam a reagir com legislação e tentativas de controlo. Tornar-se-ão os sujeitos electrónicos o equivalente da ágora ateniense, permitindo o florescimento da comunidade virtual, ou será reduzido a uma gigantesca versão dos canais de home shopping?
Não restam dúvidas de que se a Internet for sujeita a excessivas restrições políticas, perderá muito do que necessita para ser uma comunidade virtual amigável. Portanto, a perspectiva de imposição de um controlo político é talvez a maior incerteza com que o futuro da comunidade virtual se debate.
 
COMUNIDADE VIRTUAL


Segundo Howard Rheingold, as comunidades virtuais são agregações sociais que emergem da Rede quando existe um número suficiente de pessoas, em discussões suficientemente longas, com suficientes emoções humanas, para formar teias de relações pessoais em ambientes virtuais, alterando de algum modo o Eu dos que nele participam.
A possibilidade da comunidade virtual vem da intersecção de três tecnologias: o computador, o telefone e o software conhecido como internet - que é, na realidade, o sistema operativo para a rede telefónica digitalizada. O telefone providencia comunicações em dois sentidos e uma infraestrutura para ligar globalmente; o computador digitaliza e armazena informação, e providencia um interface ao utilizador; a internet permite aos computadores utilizarem o sistema telefónico. À medida que o sistema telefónico se torna também digital, links de grande largura de banda estão também acessíveis por todo o lado, aumentando o potencial deste novo híbrido tecnológico.
O termo comunidade virtual sugere aparentemente comunidades que só existem no ciberespaço. Mas implica, mais exactamente, uma nova forma de ligação que passa a existir no meio de, ou entre, comunidades no espaço real, biológico, ligando-as e estendendo-as, trazendo mesmo novas comunidades reais para o seu contacto. É um alargamento da comunidade pela adição de um novo espaço de interacção, espaço virtual onde fluxos expandidos de relações solidárias podem ser criados. É um curto passo a fusão do espaço mental de indivíduos de um modo que expande o próprio conceito de comunidade.
Mas que futuro terá esta comunidade?

http://www.citi.pt/homepages/espaco/html/comunidade_virtual.html 

“O Actual e o Virtual”
O virtual tem, surpreendentemente, pouco a ver com o falso, a ilusão ou com o imaginário, (P. Lévy), bem pelo contrário, o virtual é o agora, o real, um real não só presente, mas igualmente potencial, só desmontada pela realização do actual. A actualização é uma passagem, uma resposta à presença do virtual. Se o virtual inclui o carácter específico da problemática, o actual concretiza-se na sua solução, na medida em que se torna o seu agente. Segundo P. Lévy, na filosofia escolástica, o virtual é o que existe em potência, não em acto, «a árvore está virtualmente presente na semente». No conjunto de possibilidades que o real oferece, o virtual selecciona o que tem maior potencialidade de existência. Essa latência só é posta em causa pela factualidade do actual. No actual toda a latência deixa de existir porque se transformou na sua actualização, assim o problema deixa de existir, porque foi encontrada a solução. O que era para ser deixa de o ser porque já é! Se voltarmos à semente: ela é potencialmente uma árvore, mas no momento que cumpre o seu devir e se actualiza, transformando-se na árvore, deixou de ser virtual e perdeu a sua potencialidade, a sua força latente de estar a ser, porque já é árvore! Entretanto aquilo que acabou por se tornar em ser actual, pode por sua vez potencializar e, num desvio da realidade, criar uma nova possibilidade, cuja existência latente transforma virtualmente noutra realidade. Pode afirmar-se então que a actualização consequente daquela semente, cujo devir seria ser uma árvore, com todas as características de uma árvore, seja actualizada em algo diverso daquilo para o qual estava programado ser, levantando uma nova questão. Confuso? Dou um exemplo, talvez um pouco forçado mas que pode talvez ilustrar melhor: voltando ao mundo das plantas... é suposto uma planta ser imóvel (ou pelo menos ter um movimento relativamente lento em comparação ao  movimento dos animais), desfrutar dos raios do Sol, essenciais para a sua função clorofilina e alimentar-se das seivas que a terra ajuda a fornecer com os seus minerais, para crescer robusta e saudável na natureza. É isto que se espera de uma planta na Natureza. Nada fez supor como planta, surpresa no passado, da inesperada descoberta das plantas carnívoras. Houve uma actualização do seu estatuto e daquilo que era suposto serem. Tornaram-se predadoras, e os seus movimentos, relativamente imóveis, ganharam vida numa mobilidade repentina para caçar insectos. Saiu assim de uma estado pré-definido e actualizou-se, tornando-se naquilo que P. Lévy chama de um complexo problemático. Ao transformar-se num problema (questão) entrou num processo de virtualização (que a Natureza actualizou com outras respostas, criando o equilíbrio necessário para a existência e a coexistência). Esta dinâmica caracteriza P. Lévy como uma virtualização, que considera como o movimento inverso da actualização, como que uma espécie de retorno (em realidades diferentes), ao virtual.
Existe uma propriedade comum no virtual e na virtualização: a sua não-presença. Essa ausência de espaço físico-temporal (a presença implica um conceito temporal, como um acontecimento que necessita de um antes e um depois), levanta a questão daquilo que P. Lévy chama de desterritorialização. Num espaço virtual como o ciberespaço, não existem fronteiras, nem no espaço nem no conhecimento (conhecer traz implícito o momento), a informação é assim comunicada com uma velocidade e quantidade nunca antes conseguida, e toda a sua linearidade é antes uma translinearidade porque salta entre mundos de conceitos e consciências, não em avanços ou recuos, mas em paralelos, os quais ainda falta decidir se tal trará progresso para a humanidade, ou se terá consequências indesejadas. P. Lévy afirma que «o aumento da comunicação e generalização do transporte rápido participam do mesmo movimento de virtualização da sociedade, da mesma tensão em sair de uma presença».
Se por um lado existe um maior acesso à informação, atingindo rapidamente o conhecimento necessário segundo critérios pessoais ou colectivos, por outro lado essa cultura de ciberespaço atira a sociedade para uma dimensão sem tempo, e o tempo traz história, com a qual nos identificamos, e essa identificação diz quem somos, revela a nossa identidade.
(baseado no livro “O Que é o Virtual” de Pierre Lévy)

Joaquim Ng Pereira

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Nós já somos "cyborgs"?

A questão pode parecer irónica, mas tudo vai depender do ângulo em que é tratada. Se um cyborg é um homem cuja capacidade foi aumentada pelos avanços tecnológicos, então uma boa parte da humanidade pode ser definida como tal. Segundo alguns pesquisadores, nós já entramos na era dos cyborgs, com a proliferação de aparelhos electrónicos, que invadem as nossas vidas até se tornarem indispensáveis. Televisores, telefones, satélites, Internet: todas essas ferramentas permitem-nos interagir com o mundo e, assim, aumentar a abrangência das nossas acções e ideias. Para a maioria das pessoas, essa explicação é muito "fictícia", pois a evolução é uma característica própria do homem e as ferramentas tecnológicas que ele utiliza, não podem alterar a sua condição primária de "animal pensante". Falemos sim de um homem "aumentado".


Assim, vamos enfatizar uma definição mais real de cyborg, que consiste em mudar o corpo do homem para dar-lhe novas possibilidades físicas ou mentais. A fusão entre o homem e a máquina, através de transplantes ou implantes de chips no organismo. As pesquisas no campo são inúmeras e envolvem vários sectores, incluindo a medicina, robótica, cibernética, nanotecnologia, biotecnologia, NTIC (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação), ciência cognitiva, etc. E o progresso é rápido. Os transplantes mecânicos já existem há muito tempo, como os marca-passos, e membros artificiais, mas isso não significa criar seres diferentes. Poderíamos até falar dos óculos ou aparelhos auditivos como melhorias técnicas do homem. Melhor do que ser humano "aumentado", falaremos aqui de ser humano "consertado". É óbvio que ainda não atingimos a fase de cyborg como foi explicado acima, inúmeras são as pesquisas neste sentido.
Actualmente procura-se actuar na parte interna do corpo humano, seja em termos genéticos ou mecânicos, através de chips implantados, por exemplo.
Hoje, chegamos a um real limite entre o homem e a máquina. Acostumamo-nos a um mundo ultra-conectado, onde os nossos aparelhos fazem parte integrante das nossas vidas e face aos quais nos tornamos cada vez mais dependentes. Implantar esses dispositivos directamente no nosso corpo pode vir a ser uma solução do futuro, embora essa ideia levante importantes questões técnicas e sociais.
Quando observamos os avanços tecnológicos, podemos pensar que isso poderia concretizar-se num futuro, cada vez mais próximo. Hoje, já existe: o doping químico, implantes de dispositivos electrónicos (principalmente medicinais) ou próteses, tão avançadas que podem corresponder ou superar um membro humano.
Em paralelo, é interessante notar que, damos cada vez mais características humanas aos robôs, aprimorando os movimentos físicos e, acima de tudo, a inteligência artificial, que está crescendo à velocidade da luz. Estamos assistindo a uma aproximação cada vez maior entre os dois mundos.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=BqXWoQfSWFE

O olho biónico (Hi-Tech)

domingo, 14 de abril de 2013


Numa perspectiva moderna a tecnologia trouxe avanços para o progresso tecnológico do ser humano, e com ele, a comodidade, o conforto e a possibilidade à distância de um «click». Numa primeira impressão tal comporta uma sensação de poder e controlo que muitos dirão ser a via certa para a sociedade perfeita: as máquinas obedecem, não mandam, auxiliam, não exigem e a sua entrega é total sem pedir retribuição. Mas será mesmo assim? Talvez seja interessante abordar aqui algumas ilações que permitem ver a influência das máquinas, ou pelo menos qual o caminho que o ser humano segue, enquanto companheiro das máquinas, e nesse sentido tem alguma lógica questionar se serão as máquinas que nos seguem, ou se somos nós que seguimos as máquinas?

No seu “Manifesto Ciborgue”, Donna J. Haraway aponta um rumo em que progressivamente as máquinas adquirem qualidades que são características próprias do ser humano e a linha da fronteira que separa o homem da máquina torna-se cada vez mais intermitente, senão vejamos: McLuhan afirmava a máquina é uma extensão do homem, e efectivamente verifica-se que os meios de transporte, são como que uma extensão das “pernas e pés” do homem, a máquina fotográfica será a extensão do seu “olho”, o telefone a extensão do seu “ouvido” para o mundo, o computador como extensão do “cérebro”, os comandos eléctricos à distancia como extensão dos “braços e mãos”, etc. No entanto, os processos tecnológicos desenvolveram-se e a máquina foi-se aperfeiçoando através da técnica e dos materiais, e hoje em dia já existem pernas artificiais que substituem as orgânicas, e até competem no desporto, temos corações artificiais, braços mecânicos comandados pelo pensamento, e até aparelhos electrónicos que pensam por nós. Num processo ainda inicial, já existem máquinas que já não necessitam da interveção humana para permenecerem na sua existência funcional. Já não passamos sem o telemóvel, sentamo-nos em frente ao computador e perdemos a capacidade de conversar, de estar em família, porque o televisor absorveu toda a nossa atenção. No fundo. A máquina tornou-se a extensão do nosso corpo e já não podemos viver sem ela. Somos assim já, aos poucos, um projecto cyborg. O cyborg torna-se o devir do homem, e este comodamente aceita e deseja, anichado no ventre do seu espaço, cada vez mais fechado, como um útero formado de placenta electrónica. Este não é no entanto, um julgamento da máquina e da nossa recursividade em relação a ela, sem prejuízo da modernidade, o homem deveria apenas repensar melhor a forma do seu relacionamento com as máquinas.

A máquina torna-se cada vez mais dominadora e o seu desejo último será tornar-se orgânica, sonhar e morrer, cumprindo assim a sua vontade última… de ser humana.

Ng


Sonho Híbrido de um cyborg

Acordei!

Levantei-me ainda estremunhado de um tempo sem tempo

Tinha sonhado contigo mas o sonho era vago

Sonho de plantas e céu, seres sem nexo de memória profunda

E tu estavas lá, serena, muda, pulsante mas ritmada

Contigo vivi um antes e um depois

Apareceste colorida, divertida e compassada

Montra de braços perfeitos e circulares

E dentro de mim o tempo vislumbrou, então senti!

E clamando o teu nome em circuitos

Meu amor saído da “Timex”
Ng

Neil Harbisson (Londres, 27 de julho de 1982) é um artista audiovisual e presidente da Fundação Cyborg. Em 2004, se tornou a primeira pessoa reconhecida como ciborgue por um governo. Harbisson tem acromatopsia, uma condição que desde o nascimento o obrigou a ver o mundo em preto e branco. Desde os 20 anos, tem instalado um olho electrónico chamado “eyeborg”, que permite ao artista escutar as cores. Em 2010, inaugurou a Fundação Cyborg, uma organização internacional para ajudar os seres humanos a converterem-se em cyborgs e defender os direitos dos cyborgs.
Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciborgue 


"Um ciborgue é um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção" ... "Essa experiência é tanto uma ficção quanto um facto do tipo mais crucial, mais político".
 "O ciborgue é matéria de ficção e também da experiência vivida".
 "... são simultaneamente animais e máquina, que habitam mundos que são, de forma ambígua, tanto naturais quanto fabricados. A medicina moderna também está cheia de ciborgues, de junções entre organismo e máquina...".
"O processo de replicação dos ciborgues está desvinculado do processo de reprodução orgânica".
"... a guerra moderna é uma orgia ciborguiana, codificada por meio da sigla C3 (comando; controle; comunicação-inteligencia)".
"... somos todos quimeras, híbridos - teóricos e fabricados de máquina e organismo" ... "territórios da produção, da reprodução e da imaginação".
"O ciborgue não sonha com uma comunidade baseada no modelo da família orgânica".
Donna J. Haraway (in "Manifesto Ciborgue")
 
 
“O homem é homem pela consciência que tem da sua finitude” In”Blade Runner” João Henriques/Patrícia Lourenço (Ed. FCL/2000)

 


Endoutrinamento
(BLADE RUNNER)

 Para além do condicionamento, também o endoutrinamento pode ser aproximado da programação a que os replicants foram sujeitos. Vejamos alguns exemplos de endoutrinamento recolhidos no livro “L’Endoctrinement” de Olivier Reboul. Um primeiro exemplo é a inculcação de uma doutrina perniciosa, que possa conduzir a perigos insuspeitados. Não que ensinar um erro seja um endoutrinamento. Só há endoutrinamento quando o erro é pernicioso. É o caso de endoutrinar as crianças na ideia de que os seus colegas negros são ladrões e pessoas crueis. Inculca-se não só o erro mas também o ódio. Outras formas menos óbvias de endoutrinamento: fazer aprender sem dar a compreender aquilo que deveria ser compreendido, usar no ensino o argumento de autoridade para ensinar, ensinar a partir de preconceitos, ensinar uma doutrina como se esta fosse a única possível, ensinar como científico aquilo que não é, ensinar excluindo tudo o que não está a favor do ponto de vista adoptado, falsificar os factos para defender a sua doutrina.
O endoutrinamento pode pois ser entendido como um ensino que é dominado pela tendência a mascarar os factos que o incomodam. Uma segunda característica seria o carácter unilateral dos seus argumentos. Não se trata de pensar nos prós e nos contras: ou tudo são prós ou tudo são contras. A utilização de argumentos ilegítimos, o medo de pensar e de deixar pensar, o ódio para com todos aqueles que podem fazer perigar as suas certezas, o maniqueísmo relativamente aos valores, às doutrinas ou aos homens que os encarnam, a ausência de auto-crítica, a constante confusão entre força e razão, entre chantagem e diálogo, entre submissão e adesão, entre vencer e convencer seriam outras tantas formas de caracterizar o endoutrinamento. Em limite, o endoutrinamento implica desdém pelo homem, sempre visto como meio para servir uma causa ou obstáculo que importa dominar. Uma última característica: a falta de humor. A lavagem ao cérebro é a forma mais espectacular de endoutrinamento. O que a caracteriza é a vontade dos manipuladores produzirem um “homem novo”, de transformar o homem não só a nível das suas crenças mas também a nível daquilo que ele é. E como é possível modificar um homem, inculcar-lhe uma doutrina que não é a sua, e que até pode ser contraditória à sua? A partir das descobertas de Pavlov percebeu-se que a inibição prolongada dos reflexos adquiridos provoca uma angústia intolerável que se liberta por reacções opostas à conduta habitual. Um cão, por exemplo, prender-se-á ao homem do laboratório que ele detesta e tentará atacar o homem que ele adora. Ora, é possível transpor este mecanismo para os humanos.
O homem pode passar a amar o que odiava e vice versa. Isto não se consegue apenas por persuasão mas por imposição de provas intoleráveis. Fadiga, repetições intermináveis, falta de comida e de sono, separação do meio social e controlo permanente do grupo, exaltação colectiva, eis como se processa a lavagem ao cérebro. Produz-se então uma “ inibição protectora”, que desorganiza os reflexos adquiridos, destrói a estrutura psíquica, e determina que o sujeito abandone as suas crenças. Alguns reagem com atitudes completamente opostas às que tinham, outros ficam capazes de acreditar em tudo o que lhes digam a seguir. Situações deste tipo foram observadas em soldados traumatizados pela guerra com graves desequilíbrios nervosos, crises de angústia muito violentas acompanhadas de delírio que acabavam em coma. Quando o soldado acordava, estava curado. A crise havia destruido o condicionamento patogénico (obsessões, alucinações, etc.).
Donde se pode concluir: 1) que o endoutrinamento, seja ela político ou religioso, não apela à inteligência mas actua provocando emoções violentas que desorganizam o psiquismo e permitindo assim a metamorfose, 2) que não se resiste ao endoutrinamento: mesmo que se compreenda o que se está a passar e o que se pode esperar, a violência da agonia abolirá mais cedo ou mais tarde o sentido crítico.
 In”Blade Runner” João Henriques/Patrícia Lourenço (Ed. FCL/2000)