domingo, 14 de abril de 2013


Numa perspectiva moderna a tecnologia trouxe avanços para o progresso tecnológico do ser humano, e com ele, a comodidade, o conforto e a possibilidade à distância de um «click». Numa primeira impressão tal comporta uma sensação de poder e controlo que muitos dirão ser a via certa para a sociedade perfeita: as máquinas obedecem, não mandam, auxiliam, não exigem e a sua entrega é total sem pedir retribuição. Mas será mesmo assim? Talvez seja interessante abordar aqui algumas ilações que permitem ver a influência das máquinas, ou pelo menos qual o caminho que o ser humano segue, enquanto companheiro das máquinas, e nesse sentido tem alguma lógica questionar se serão as máquinas que nos seguem, ou se somos nós que seguimos as máquinas?

No seu “Manifesto Ciborgue”, Donna J. Haraway aponta um rumo em que progressivamente as máquinas adquirem qualidades que são características próprias do ser humano e a linha da fronteira que separa o homem da máquina torna-se cada vez mais intermitente, senão vejamos: McLuhan afirmava a máquina é uma extensão do homem, e efectivamente verifica-se que os meios de transporte, são como que uma extensão das “pernas e pés” do homem, a máquina fotográfica será a extensão do seu “olho”, o telefone a extensão do seu “ouvido” para o mundo, o computador como extensão do “cérebro”, os comandos eléctricos à distancia como extensão dos “braços e mãos”, etc. No entanto, os processos tecnológicos desenvolveram-se e a máquina foi-se aperfeiçoando através da técnica e dos materiais, e hoje em dia já existem pernas artificiais que substituem as orgânicas, e até competem no desporto, temos corações artificiais, braços mecânicos comandados pelo pensamento, e até aparelhos electrónicos que pensam por nós. Num processo ainda inicial, já existem máquinas que já não necessitam da interveção humana para permenecerem na sua existência funcional. Já não passamos sem o telemóvel, sentamo-nos em frente ao computador e perdemos a capacidade de conversar, de estar em família, porque o televisor absorveu toda a nossa atenção. No fundo. A máquina tornou-se a extensão do nosso corpo e já não podemos viver sem ela. Somos assim já, aos poucos, um projecto cyborg. O cyborg torna-se o devir do homem, e este comodamente aceita e deseja, anichado no ventre do seu espaço, cada vez mais fechado, como um útero formado de placenta electrónica. Este não é no entanto, um julgamento da máquina e da nossa recursividade em relação a ela, sem prejuízo da modernidade, o homem deveria apenas repensar melhor a forma do seu relacionamento com as máquinas.

A máquina torna-se cada vez mais dominadora e o seu desejo último será tornar-se orgânica, sonhar e morrer, cumprindo assim a sua vontade última… de ser humana.

Ng

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