A INÚTIL OPOSIÇÃO NATUREZA X CULTURA NA COMPLEXIDADE AMBIENTAL DAS
TRAMAS CONTEMPORANEAS
Maria Augusta Mundim VargasA década de 1970 caracterizou-se pelos embates epistemológicos, teóricos e metodológicos, no âmbito dos quais emergiram uma nova visão de ambiente, meio ambiente e qualidade de vida. No âmbito desses embates emergiram diferentes sub-campos do conhecimento que confluíram, já na década de 1980, para a produção de um pensamento crítico sobre o significado dos valores culturais e sobre os limites de uso da base de sustentação das relações sociais e políticas, ou seja, dos recursos naturais. Bem próximo das colocações de Maturana e Varela (2001), Carlos Walter Porto Gonçalves (1988), destaca em sua obra já citada, Os (des)caminhos do meio ambiente, o pensamento de Edgard Morin sobre a epistemologia da complexidade: pressupõe o pensamento multidimensional que contém as dimensões individual, social e biológica. Ele desconstrói os três eixos constitutivos da ciência moderna, quais sejam i) a oposição homem e natureza; ii) a oposição sujeito-objeto e; iii) o paradigma atomístico-individualista. Ele nos mostra que a ciência e a técnica são condições necessárias, mas não suficientes para garantir um uso racional dos recursos naturais. Homem e natureza são concebidos como parte de um mesmo processo de constituição de diferenças. É em meio à destruição/criação que os ecossistemas (e nós inseridos nesta concepção) aparentam harmonia. O foco desloca-se. Não é a estabilidade, é a aptidão para construir estabilidades novas; não é o regresso ao equilíbrio, é a aptidão à reorganização. Um aspecto importante nessa desconstrução do pensamento social hegemônico, leia-se do paradigma científico hegemônico e vigoroso nos anos 1950, 60 e 70, até abrir-se em crise, fez-nos compreender que a crise não era tão simples, que não se tratava apenas de refutar um conhecimento teórico, mas, sobretudo, a aplicação do conhecimento teórico, ou seja, o conhecimento tecnológico. Com efeito, produzimos explicação da ciência, de seus sucessos e fracassos não a partir da evolução do estado de conhecimento e, sim, a partir do que sabemos sobre a evolução da ciência e do que, a partir desse conhecimento queremos (KUHN, 1975).
In “Trabalho apresentado
na mesa “Complexidade Ambiental nas Tramas Contemporâneas” – Colóquio
Internacional Educação e Contemporaneidade – Campus Universitário da
Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, 22 de novembro de 2007.”
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