"As Etapas da Aprendizagem" - do mais simples ao mais complexo...
http://www.youtube.com/watch?v=whMT794CX-M
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Trabalho de Humberto Maturana
e Francisco Varela
(Por: Edla M. F. Ramos)
Humberto Maturana e Francisco
Varela desenvolveram um trabalho transdisciplinar centrado no propósito de
entender a organização do sistemas vivos com relação ao seu caráter unitário.
Para tal, foi preciso que esses pesquisadores levassem em conta os principais
desafios que esse entendimento impunha, quais sejam: entender a natureza autônoma
da organização biológica e entender como a identidade pode
ser mantida durante a evolução que gera a diversidade. Os autores não
fazem, pois não são necessárias, distinções sobre nenhuma classe ou tipo de ser
vivo, nem descrevem os seus componentes. Apenas explanam quais são as relações
que permanecem invariantes entre tais componentes, e que constituem o ser vivo
enquanto tal, não importando qual é a sua natureza.
Além de reformular um fenômeno,
mostrando como as relações e interações entre seus componentes o geram, como
ocorre em toda a explanação, é meta central dos autores (pois têm claro que
toda explanação é feita por um observador do fenômeno) distinguir
claramente o que pertence ao sistema como constitutivo da sua fenomenologia e o
que apenas pertence ao domínio da sua descrição. Esta distinção é uma proposta
de atitude epistemológica nova e já demonstrou o quanto é fecunda no próprio
trabalho dos seus proponentes.
A abordagem feita é, num certo
sentido, mecanicista, pois nenhuma força ou princípio que não esteja no
universo físico é invocada. Os seres vivos serão tratados como máquinas, donde
os autores precisam responder 'que tipo de máquinas elas são?' e 'qual
é a sua fenomenologia, incluindo reprodução e evolução, a partir da sua
organização unitária?'. Apesar de mecanicista, a abordagem não é reducionista
ou atomista, uma vez que é o caráter unitário do ser vivo que tenta ser
compreendido de forma transdisciplinar.
O uso do termo transdisciplinar,
ao invés dos termos interdisciplinar e multidisciplinar, é mais adequado para
explicar este aspecto do trabalho dos autores, pois, como bem observou Stanford
Beer, (no prefácio que escreveu para o livro Autopoiesis e Cognição):
"...se o livro lida com
sistemas vivos, então deve tratar de biologia. Se ele diz alguma coisa
científica sobre organização, então deve falar de cibernética. Se pode
reconhecer a natureza do caráter unitário, deve ser um livro de epistemologia -
e também, lembrando a grande contribuição do primeiro autor sobre percepção,
deve lidar com psicologia. O livro é indubitavelmente sobre todas estas coisas.
Chamaríamos, portanto, esta área interdisciplinar de psicociberbioepistêmica?
Faríamos isso se quiséssemos insultar os autores, pois o seu estudo não
inter-relaciona disciplinas, ele as transcende. Na verdade, parece que ele as
aniquila..." (Beer in Maturana, 1987: 65).
Maturana e Varela desenvolvem uma
abordagem em busca de síntese e não de análise e classificação. Segundo estes
autores a ciência de hoje teve o seu progresso instrumentalizado por análise e
categorização, o que produziu uma visão de mundo difícil de mudar. Nessa visão
de mundo os sistemas reais são aniquilados pela própria tentativa de
entendê-los, sendo suas relações definidoras(???) perdidas uma vez que não são
categorizáveis (???).
Consideram os autores que nenhuma
posição ou ponto de vista que tenha alguma relevância no domínio das relações
humanas está livre de implicações éticas e políticas. Logo, nenhum cientista
pode considerar-se alheio a estas implicações. Tais implicações foram
explicitadas pelos autores a partir da resposta à seguinte questão: "as
sociedades humanas são ou não são elas mesmas sistemas biológicos? ".
As noções de observador,
distinção, unidade, organização e estrutura são os alicerces da teoria de
Maturana e Varela. Elas são sintetizadas a seguir.
O observador
Tudo que é dito é dito por um
observador. O observador é um ser humano, portanto, um sistema vivo, e tudo
o que se aplica aos sistemas vivos também se aplica a ele. O observador
contempla simultaneamente a entidade que ele considera e o universo
no qual ela vive. Ele é capaz de operar ou de interagir com a entidade
observada e com as suas relações.
Uma entidade é o que pode ser descrito
pelo observador, descrever é enumerar as interações e relações atuais ou
potenciais da entidade descrita. Isso só pode ser feito se existe pelo menos
uma outra entidade distinguível com a qual a entidade descrita pode ser
relacionada e interage.
O entendimento da cognição como
um fenômeno biológico deve levar em conta o observador como um sistema vivo e o
seu papel.
"A Influência das Emoções no Nosso Comportamento" (Claudia Castellanos)
http://www.youtube.com/watch?v=PWgjciGRjMA
"A Beleza do Pensar - O novo Encanto da Realidade" (Francisco Varela)
http://www.youtube.com/watch?v=SAAHFdWTRRY
A INÚTIL OPOSIÇÃO NATUREZA X CULTURA NA COMPLEXIDADE AMBIENTAL DAS
TRAMAS CONTEMPORANEAS
Maria Augusta Mundim VargasA década de 1970 caracterizou-se pelos embates epistemológicos, teóricos e metodológicos, no âmbito dos quais emergiram uma nova visão de ambiente, meio ambiente e qualidade de vida. No âmbito desses embates emergiram diferentes sub-campos do conhecimento que confluíram, já na década de 1980, para a produção de um pensamento crítico sobre o significado dos valores culturais e sobre os limites de uso da base de sustentação das relações sociais e políticas, ou seja, dos recursos naturais. Bem próximo das colocações de Maturana e Varela (2001), Carlos Walter Porto Gonçalves (1988), destaca em sua obra já citada, Os (des)caminhos do meio ambiente, o pensamento de Edgard Morin sobre a epistemologia da complexidade: pressupõe o pensamento multidimensional que contém as dimensões individual, social e biológica. Ele desconstrói os três eixos constitutivos da ciência moderna, quais sejam i) a oposição homem e natureza; ii) a oposição sujeito-objeto e; iii) o paradigma atomístico-individualista. Ele nos mostra que a ciência e a técnica são condições necessárias, mas não suficientes para garantir um uso racional dos recursos naturais. Homem e natureza são concebidos como parte de um mesmo processo de constituição de diferenças. É em meio à destruição/criação que os ecossistemas (e nós inseridos nesta concepção) aparentam harmonia. O foco desloca-se. Não é a estabilidade, é a aptidão para construir estabilidades novas; não é o regresso ao equilíbrio, é a aptidão à reorganização. Um aspecto importante nessa desconstrução do pensamento social hegemônico, leia-se do paradigma científico hegemônico e vigoroso nos anos 1950, 60 e 70, até abrir-se em crise, fez-nos compreender que a crise não era tão simples, que não se tratava apenas de refutar um conhecimento teórico, mas, sobretudo, a aplicação do conhecimento teórico, ou seja, o conhecimento tecnológico. Com efeito, produzimos explicação da ciência, de seus sucessos e fracassos não a partir da evolução do estado de conhecimento e, sim, a partir do que sabemos sobre a evolução da ciência e do que, a partir desse conhecimento queremos (KUHN, 1975).
In “Trabalho apresentado
na mesa “Complexidade Ambiental nas Tramas Contemporâneas” – Colóquio
Internacional Educação e Contemporaneidade – Campus Universitário da
Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, 22 de novembro de 2007.”
Francisco Varela
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Subjectividade e objectividade
(a propósito de Francisco J. Varela)
Como é que as centopeias caminham
com tantas pernas sem se tropeçarem? Como é que estendemos e apertamos as mãos
em cumprimento e não falhamos o alvo? Como é que andamos e nos equilibramos em
2 pernas? Estes podem ser indícios simples do funcionamento do saber. É possível,
a partir daqui, inferir a realidade como modelos de representação. Quando vemos
a cor azul, ela viaja até à nossa percepção através da luz. No entanto, não
existe nenhuma relação entre luz e cor e isto, é o que alguns estudiosos
consideram um paradoxo. Então podemos dizer que o conhecimento da realidade é uma invenção
humana. É um sistema criado para que possamos conceber a realidade e
entendê-la. Assim, a realidade não assenta apenas na objectividade da sua
existência. É a profundeza da subjectividade humana que lhe traz um sentido e
forma. A existência do objecto não teria significado se não for o indivíduo a
dar-lhe uma razão para a sua existência, a sua materialidade e a sua essência,
é essa importância que conferimos ao mundo que justifica a sua existência, e
que pode ser tão variável e múltipla, conforme essa importância que lhe
atribuímos. Tudo o que «existe» aos nossos olhos, justifica-se porque assim o
decidimos, segundo o seu grau de importância. Essa percepção é tão mais
singular, quanto maior for o nosso individualismo. A objectividade do mundo
assenta assim na própria subjectividade dos seres. Tudo o que se faz e se
experiencia, é produzido no mundo, isto é, a realidade é o resultado da
experiência que se tem com ela, a forma como interagimos com ela e do
conhecimento que foi produzido. A maneira como percepcionamos essa realidade,
modifica-a. Podemos então dizer que o mundo é feito à nossa medida e somos a
medida do mundo. “A abelha sonha com a flor e a flor sonha com a abelha” – este
é o ciclo evolutivo, é a latência dialéctica que determina a nossa “pedra
filosofal” pessoal e que transforma a essência do real.
Joaquim Ng Pereira
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